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CRAB – Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro

Categorias: Cultura

CRAB

 

                                   O ARTESANATO COMO EXPRESSÃO CRIATIVA BRASILEIRA

O CRAB – Centro Sebrae de Referência do Arteasanato Brasileiro – é uma plataforma mercadológica para o reposicionamento e a qualificação do artesanato brasileiro, transformando-o em objeto de desejo e consumo e, consequentemente, aumentando seu valor de mercado. Numa época de revalorização das raízes, este projeto do SEBRAE (órgão de apoio ao pequeno e micro empresário) vem empoderar o setor do artesanato como área da economia criativa com potencial para impactar a geração de renda, a memória cultural e o empreendedorismo.

Crab centro

O projeto ocupa três prédios do século XVIII tombados pelo IPHAN que foram restaurados para sediar 7 salas de exposições, um café, um restaurante, mídiateca, auditório e salas para oficinas.

bonecas

Com intuito de promover a venda de produtos de artesanato diferenciado, assessoro a operação da loja conceito que apresenta ao visitante a chance de levar pra casa exemplares da exposição.

Neste trabalho de consultoria, atuo em frentes para consolidar a loja conceito como canal de comercialização:

Crab Loja

CURADORIA DE PRODUTOS  – uma equipe de curadores é responsável para escolher produtos de artesanato que não tem nada de diferente de produtos reconhecidamente de LUXO. Produtos com acabamento caprichado, mesmo guardando o aspecto manual e único, evocam sofisticação e excelência. Outro fator importante é evidenciar produtos com riqueza de histórias, inspirações, o processo de produção, as histórias dos artesãos produtores perpetuando a memória afetiva de um povo.

VISUAL MERCHANDISING – outra frente importante é garantir um visual merchandising dinâmico, que proponha a apresentação de produtos de artesanato como peças em uma galeria de arte. Outro ponto é propor instalações com produtos, incentivando a curiosidade e ajude o visitante a descobrir objetos que possam inspirar a criatividade.

CAPACITAÇÃO DE CONSULTORES DE VENDAS – para garantir o sucesso de uma loja conceito, fundamental é a formação de vendedores como consultores. Vendedores tiram pedidos, enquanto CONSULTORES ajudam visitantes a se transformar em compradores. Além de conhecer objetos, o visitante é convidado a descobrir experiências.

Origem Vegetal

A exposição ORIGEM VEGETAL  é o tema da primeira exposição e fica no CRAB até outubro. Com curadoria dos pesquisadores Adelia Borges e Jair de Souza, a exposição propoe um recorte de mais de 100 espécies de fibras brasileiras, mais de 800 produtos representando 60 cooperativas, 50 artesãos, 19 povos indígenas. Exposições temporárias ainda conferem dinamismo de programação ao CRAB.

Campana Retratos Iluminados

RETRATOS ILUMINADOS é a exposição dos renomados Irmãos Campana, que interessados em empoderar grupos de artesãos, trabalhou em parceria com o Instituto de Pesquisas e Tecnologia Inovadoras (IPTI), entidade que articula projetos com grupos de bordadeiras de Alagoas e Sergipe. Além das exposições e comercialização,  o CRAB abrangerá discussões, oficinas e diálogos com outros setores como moda, gastronomia, audio-visual, música…

Visite o CRAB e descubra o orgulho para a memória da cultura e o empreendedorismo da economia criativa brasileira.

Crab Tiradentes

FUNCIONAMENTO TERÇA A SÁBADO (10H ÀS 17H)
TELEFONE +55 (21) 3380-1850
E-MAIL CRAB@RJ.SEBRAE.COM.BR
ENDEREÇO PRAÇA TIRADENTES, Nº 67 AO 71 – CENTRO,
RIO DE JANEIRO – RJ, 20060-070
TARIFAS ENTRADA GRATUITA

 

Postado por: Marcelo Novaes

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Design + Artesanato – o caminho do Brasil

Categorias: Cultura

Cada dia acredito mais na valorização da economia criativa como potencial para negócios de sucesso no Brasil. Apesar de dificuldades, o setor do ARTESANATO é uma das áreas da economia criativa que mais oferece caminhos para o crescimento e a geração de negócios.

Nesse sentido, o livro “ARTESANATO+DESIGN – o caminho brasileiro”  da sociológa Adélia Borges, é leitura obrigatória para profissionais, estundantes de gestores que acreditam no potencial de desenvolvimento do empreendedorismo criativo no Brasil. Além de propor uma análise histórica do design brasileiro, a autora aponta o setor do ARTESANATO como meio que enaltece a memória, a cultura , as raízes, uma verdadeira inspiração para a  geração de uma vida mais digna e sustentável.

design+artesanato

O livro conta ainda sobre o encontro entre artesão e designers tem favorecido ricas conquistas: melhorias em qualidade de produtos, novos motivos e materiais, a melhoria de vida de produtores e usuários e as condições de gestão nas comunidades em que são feitos. Várias ações tem valorizado não o assistecialismo barato, mas o desenvolvimento pela transformação social e sustentável. O sucesso de novas articulações nos negócios do artesanato ajuda a enfraquecer o preconceito que atribui conceito de inferioridade ao que é feito com a mão e de superioridade com o que é feito pelo intelecto.

O livro aponta destaques na relação entre Design e Artesanato  para um novo caminho no Brasil.

1. Pensamento criativo X Educação formal - a autora considera que o pensamento criativo e a inteligência projetual não são privilégios das pessoas com educação formal, mas sim fatores inerentes aos povos de países em desenvolvimento. Trata-se sim da convicção de que fazer com as mãos constitui um bem valioso e patrimonial, que pode e deve funcionar para o desenvolvimento mais justo para as populações desses países.

2.  De qual artesanato falamos? – objetos de artesanato são em geral  feitos coletivamente por famílias, vizinhos… como uma opção à baixa do trabalho na agricultura, estes produtos podem ser reproduzidos em série. Os objetos são projetados por premissas advindas do design, com determinada função de uso, o emprego de determinadas matérias-primas e tecnicas produtivas. As tecnicas podem ter sido transmitidas de geração a geração, por habitantes mais velhos de uma comunidade ou podem ter sido “criadas”mais recentemente por uma ou mais pessoas. Desta forma o valor da tradição e da memória imaterial funciona como grande valor agregado desta economia.

Artesãos do Jalapao - capim dourado

Comunidade reunida em volta da produção de capim dourado no Jalapão, Tocantins.

3. O histórico do isolamento – Diferente de países como Itália, Japão, e países escandinavos, onde o design erudito e industrial de desenvolveu a partir da tradição artesanal, no Brasil tivemos sempre a associação da manufatura artesanal confundida e denegrida pela cultura escravagista que dominou não só o Brasil mas grande parte de todos os países da América Latina. A noção de que fazer com as mãos era coisa de passado de atraso, subdesenvolvimento e pobreza, deturpa até hoje as engrenagens de desenvolvimento da economia criativa do artesanato. A idéia de que a revolução das máquinas iria libertar o homem da escravidão também veio muito forte para o Brasil. A influência de Le Corbusier, a criação de Brasília, os fundamentos racionalistas da ESDI – Escola Superior de Desenho Industria, foram pontos chaves para destoar por vez a importância do objeto feito pelas mãos no Brasil. Em contrapartida, a designer e arquiteta Lina Bo Bardi é uma das precursoras do pensamento primitivo brasileiro como a alternativa revolucionária da imaginação e da criatividade para construção de uma identidade cultural brasileira. Nos anos 70, houve intenções de recuperar e inventariar pela primeira vez o acervo de padrões do artesanato brasileiro, catalogando materiais, desenhos, elementos de referência como forma de trazer unidade à riqueza nacional.

4. Início da Aproximação. Nos anos 80 se inicia um movimento de designers para o interior do pais com interesse em revitalizar o artesanato. Sem alterar tecnicas, os designers propõem melhorias de gestão de produção. Em alguns casos, diversificação de produtos para aumentar o nicho de mercado, em outros na adoção de novos materiais ou resignificação de motivos locais para alavancar o valor das peças. Iniciativas de ações coletivas num determinado lugar como a Coopa Roca e o respaldo de instituições de fomento como o Sebrae fortalecem esse momento. Janete Costa, uma das mais atuantes designers e arquitetas a utilizar artesanato brasileiro em seus projetos, viajou o Brasil ajudando cooperativas a limpar e valorizar o design dos produtos. Muitas vezes Janete usava a técnica do que hoje se chama “upcycling”, deslocando um artefato de um uso para outro (um sesto para colher frutas na roça que se transformava em luminária…) Na Coopa Roca, a socióloga Maria Teresa Leal conduzia a articulação de designers, estilistas e artistas plásticos a utilizarem os produtos feitos com o refugo de tecidos de industrias têxteis em tecnicas de fuxico, crochê e bordado pelas moradoras da favela da Rocinha, em sua maioria de origem nordestina.

Coopa Roca

As luminárias-arte da Coopa Roca enriquece cenografia de desfiles de moda, decora lojas de primeira linha e responde pela economia sustentável de mulheres da comunidade da Rocinha no Rio de Janeiro.

5. Os vários Caminhos – varios caminhos são importantes para a revitalização do artesanato como negócio sustentável

- Melhora das condições técnicas – atenção aos critéiros de qualidade e ao acabamento é fundamental nas etapas de produção. Garantir o uso de tintas que não desbotam, cerâmica queimada adequadamente para maior resistência dos objetos, uso de tratamento de sementes para garantir a longevidade do design, são tecnicas passadas em oficinas de adequação tecnica. Ao mesmo tempo, a ação de consultores  e designers é importante para sugerir a quebra de valores e a ousadia experimental para a inovação do design. A perfeição do avesso dos tapetes da Coopa Roca diferenciam-se dos tapetes vendidos em beiras de estradas. No Brasil, o bordado é a prática artesanal mais difundida pelo país e oficinas de capacitação garantem a expressão artística e autoral de cada região. Adaptar produtos a novos usos também é muito importante.. adaptar tamanhos das toalhas aos novos tipos de famílias, por exemplo. O estudo do comportamento de mercado é fundamental para determinar a diversisificação de novos produtos. Num setor onde cada peça pode ser diferente, ter um cálculo mais exato entre linhas de produtos facilita determinar o uso de material e a previsão de entrega dos produtos… nesse sentido, o papel do designer é adequar produto às possibilidades do mercado.

Bordado Antonia Drumond, Pirapora, MG. Foto: Mariana Chama

 

- Uso de materiais locais – um país com tanta boidiversidade, neste quesito os designers tem mais a aprender com os artesãos locais. Alguns tem ocorrência em apenas uma região, como é o caso do capim dourado do Jalapão no Tocantins. Outros notáveis como a borracha da Amazônia, algodão colorido da Paraíba, a palha do trigo do sul do país. As sementes da Jarina também conhecida como marfim vegetal é encontrado no Amazonas, região que possi um quarto das espécies vegetais do mundo. No Nordeste o uso das fibras vegetais das palmeiras permite um uso diverso. O Brasil é o segundo maior produtor de banana no mundo. O uso da fibra da bananeira propõe a produção de papel, palmas e tecidos, muitas vezes chegando economicamente a ser superior a comercialização do valor o fruto.Em todos os casos há uma necessidade de atuação casada com os orgãos regulamentares governamentais. Outro uso cada vez mais crescente é dos mateirais reciclados. Mana Bernardes cria joias do cotidiano usando PET e resíduos industriais. Domingos Tutora capacitou o grupo de artesãos Gente de Fribra que trabalha com descarte de fibra de bananeira com papel, cola, agua e pigmentos. O grupo Design Possível trabalha design com o desastre de banners de publicidade e a Osip Mundaréu reutiliza hashis descartados por restaurantes japoneses em SP para elaborar jogos americanos sob orientação da designer Renata Mendes.

Domingos ´Tótora

Os objetos rescondicionados por Domingos Tótora – a união de tecnicas artesanais com a sofisticação do design.

- Identidade e Diversidade – numa cultura muitas vezes influenciada por códigos culturais internacionais, vários programas instigam artesãos a reconhecer em seu dia a dia elementos que poderiam ser transplantados para a forma de seus objetos. Em vez de bonecos Star Wars, que tal usar as referências de cangaceiros do sertão nordestino? No Piaui, um grupo de artesãos pesquisaram os ícones encontrados nas pinturas rupestres de cavernas no Parque Nacional da Serra da Capivara. O trabalho de pesquisa de códigos de identidade locais e do patrimônio cultural local é que vão definir as referências culturais que deveriam ser espelhadas nos produtos de artesanato. Uma fonte importante é o trabalho de registro de fotógrafos fazem um levantamento da paisagem natural e construída do local, dos hábitos e da vida dos moradores. Arqueologial arquitetura, artesanato, arte, atrativos naturais, fauna, flora, psit´øria e folclore são elementos que ajudam a traçar a identidade iconográfica de um local. Essas referências são tão fortes que não originam somente produtos mas também conclui o design gráfico da coleção dos produtos (embalagem, marca, papelaria etc). A decupagem gráfica de padrões e as tecnicas de fixação de cores usados em balaios e restos indígenas do Baniwa no Amazonas foi a forma de devolver aos índios um pouco da sua cultura já perdida de referências.

- Construção das marcas.  Logo, etiquetas, embalagens, catálogos, displays para pontos de vendas e site são pilares de comunicação do valor intangível dos objetos artesanais. Com pouco valor diferencial no quesito preço, o valor agregado é o grande ponto de vantagem e diferenciação do artesanato. A origem, a história de quem produziu, as tecnicas utilizadas,  a tradição embutida são fatores que agregam valor. Conseguir transportar o cliente para o universo intangível do artista artesão é ponto chave. A marca e produtos gráficos tem o poder de comunicar o valor de produtos manufaturados.

- Artesãos como Fornecedores. Numa época de globalização, a organização e qualificação de artesãos em volta de um gestão de produto instigam o olhar de designers em busca do inusitado, do original. É o caso da cadeira Multidão do Irmãos Fernado e Humberto Campanha  ou da mesa Mandala de Claudia Moreila Salles. Lino Villaventura também usa o artesanato como fonte de fornecedores para os vestidos com rendas cudiadas e feitas a mão. Designers estão cada vez mais se tornando clientes de comunidades organizadas de artesãos espalhados pelo país. A aguardente Ypioca há anos reveste sua garrafas com palha de carnaúba trançada por mulheres do interior do Ceará. O revestimento é o ponto de distinção do produto no ponto de vendas.

cadeira Multidão

A cadeira Multidão dos Irmãos Campana. Foto: Mariana Chama.

A autora cita ainda frentes de opções de designers em parceira com artesãos:

- melhoria de qualidade de produto

- aumento da percepção de valor pelo consumidor

- redução de matéria prima

- redução/ racionalização de mao de obra

- otimização de processos e materiais

- interlocução sobre desenho e cores

- adaptação de funções

- deslocamento de objetos de um segmento para outro mais valorizado pelo mercado

- intermediação entre consumidor e mercado

- comunicação dos atributos intangíveis dos objeots artesanais

- facilitação do acesso dos artesãos ou de sua produção à mídia

- contribuição na gestão de ações estratégicas

- explicitação da história por trás do objetos artesanais

Uma coisa é certa: a aproximação entre designer e artesão está mudando a cara do objeto artesanal brasileiro e ampliando muito seu alcance. O designer passar a ter conhecimento empírico, popular e ter aceso um mercado de trabalho em expansão. O artesão tem a possibilidade de interlocução e melhoria de processos do seu fazer. O importante nessa relação é que as ações deixadas tenham relevância para as comunidades e possam ser continuadas.

É necessário lembrar que como em qualquer relação de equilíbrio, nas relações de designers e artesãos é fundamental o respeito, a adequação às realidades locais e o dlálogo entre interlocutores. É necessário o cuidado de ver o artesanato como primitivo ou rústico e sim como sofisticado e rico em diferenças. Outra questão é a ética com que empresários e designers devem tratar artesãos profissionalizados. Pagamento justo, longe de assistencialismo barato, pressupoe uma relação profissional contínua.

Amostras de fios tingidos com a variedade de plantas da região da Amazõnia.

Amostras de fios tingidos com a variedade de plantas da região da Amazõnia. Foto: Leka Oliveira

Multiplicação dos Atores

Há uma tendência no crescimento do número de organizações governamentais em programas de requalificação do artesanato brasileiro. O SEBRAE está entre as organizações com recursos públicos que mais se destacou na capacitação de mais de 200 mil artesão em apenas 10 anos. Empenhado no estimulo ao empreendedorismo, o órgão promoveu milhares de cursos, de formação de preço, cooperativismo/associativismo, qualidade ao atendimento, tecnicas de venda, oficinas de colaboração entre desigenrs e artesãos. O MINC criou a Promoart, que com apoio do BNDES assessora a melhoria dos espaços de produção, exposição e pontos de vendas mantidos pelos artesãos, apoio à participação em feiras e exposições.

Loja Wariró em São Gabriel da Cachoeira foi montada e é gerida pelos indígenas.

Loja Wariró em São Gabriel da Cachoeira foi montada e é gerida pelos indígenas. Foto: Rogério Assis.

Outra vertente em crescimento são projetos como decorrência de uma ação mais ampla. Uma dessas é o projeto A Gente Transforma idealizado pelo designer Marcelo Rosenbaum no Capão Redondo, periferia de São Paulo. Liderando um mutirão do qual participaram alunos de arquitetura design, artes para reforma do Campo do Astro, única área de convívio da comunidade, a praça ganhou novos ares, onde vestiários deram lugar a uma biblioteca. Na mesma linha, empresários donos de hotéis e pousadas tem aberto espaço para lojas temáticas para expor o trabalho  de associações locais exporem e venderem seus produtos. Iniciativas dos mais abastados em apoiarem ações significativas e que não recorrem ao assistencialismo aponta uma nova frente de fazer uma diferença social no país.

O designer Marcelo Rosenbaum é um dos que enaltecem ações de revitalização de comunidades.

O designer Marcelo Rosenbaum é um dos que enaltecem ações de revitalização de comunidades.

Artesãos se organizam

Numa atividade informal, que agrega diferentes membros da família, o artesanato desorganizado e sem planejamento vem encontrando um formato de empreendimento organizado. Em várias localidades, incentivadas pelos órgãos de fomento, mulheres que tralhavam sozinhas hoje se unem para dar conta de encomendas de grandes empresas. No município de Carvalhos, sul de Minas, mulheres de vários municípios se reúnem em torno da produção de 125 mil cachecóis encomendados para a empresa Natura. Hoje, nos teares de quase  dois séculos, a produção é organizada, em fluxos bem construídos controlados e estabelecidos que remetem a procedimentos de uma empresa moderna. Em muitos casos de associações autossustentáveis são elas que contratam os desigenrs em busca por qualificação. Mesmo com todo crescimento, por ser um setor que move tantos setores paralelos (turismo, antropologia, cultura, negócios etc) , as vezes fica difícil uma gestão publica única.

Artesanato tem Futuro

Durante um tempo acreditou-se que a industrialização iria aniquilar o artesanato. Mas o tempo passou e vimos exatamente o oposto. Um setor que enaltece exatamente o resgate da memória, a valorização de raízes e a identidade de um povo é o que há de mais contemporâneo. O desejo do usuário por identificação, por customização daquilo que não se repete igual ao seu DNA, é exatamente isso que garante ao artesanato a sua perenidade e acima de tudo veia de sofisticação. Numa época tecnologia, povoada por objetos sedutores que tem uma vida útil cada vez mais curta, vivemos num mundo de impessoalidade e massificação. Neste cenário, os objetos artesanais surgem como um contraponto, numa experciência real. Em vez de homogêneos, os objetos artesanais garantem em si a eterna diferença, o eterno toque e o calor de quem os fez. Têm a beleza da imperfeição do feito pelas mãos, envelhecem com dignidade, além de transmitirem doses de memóriaa e histórias passadas de pais a filhos.

Folhas desidratadas. Foto: Lena Trindade

Folhas desidratadas. Foto: Lena Trindade

Numa época em que podemos e devemos adequar o fazer a novas noções de tecnologia e melhoria para a vida humana, adotar o uso de máquinas para etapas do fazer artesanal em nada desmerece o seu valor final. Pelo contrário, agrega o valor. Assim como acontece na industrialização de projetos de luxo que cada vez mais agregam o “feito a mão”por artesãos altamente especilizados, marcas como Louis Vuitton, Bentley, fazem do artesanal o traço distintivo em suas bolsas e automóveis. No mundo híbrido em que vivemos, é possível a maravilhosa conquista da reprodução de um produto reunir os aspectos industrial, artesanal e digital. Como classificar a produção da cadeira Vermelha dos Irmãos Campana? Ela é pensada no desenho no papel, processada no computador, produzida numa industria – a italiana Edra – mas feita a mão por um operário extremamente especializado – um artesão.

Tapete Broinha ganhou o prémio alemão IF 2011 em Hanover, Alemanha. As resistências contra produto feito a mão vem caindo.

Tapete Broinha ganhou o prémio alemão IF 2011 em Hanover, Alemanha. As resistências contra produto feito a mão vem caindo.

Transformação Social

A independência econômica que vem do fazer com as mãos, além de dar poder de compra de uma geladeira, uma televisão, de uma motocicleta, afeta diretamente o meio social. Em comunidades com associações de sucesso é fácil ver o sentimento de auto estima aumentar nas relações dos indivíduos entre si e com o seu local de moradia. As mulheres se vestem, se penteiam se embelezam. Os encontros nas associações viram eventos de convivência, de compartilhar experiências, de retomar o orgulho. Programas não assistencialistas deixam o grande legado de politização e de noção de cidadania. As relações com o poder público amadurece, sendo mais reivindicativos e menos “pedintes”.

A cidade grande não é mais uma saída para melhorar de vida. Ao invés de mulheres com subempregos em cidades grandes, os programas promovem pessoas que dão vazam a sua verve empreendedora, e que vivem uma vida digna nas cidades onde nasceram. Muitas mulheres se tornam exemplos de superação, viajam para o exterior, começam ser requisitadas para dar palestras e seminários em universidades mundo afora.

 

Mulheres e filhas de pescadores são incentivadas pelo projeto Tamar para resgatar tecnicas de bordados de bilro e rendas em ponto de cruz, memória cultural resgatada na região de Sergipe e Ceará.

Mulheres e filhas de pescadores são incentivadas pelo projeto Tamar para resgatar tecnicas de bordados de bilro e rendas em ponto de cruz, memória cultural resgatada na região de Sergipe e Ceará.

Dimensão Cultural

O artesanato é um dos meios mais importantes de representação de identidade de um povo. Nele, não só os materiais e tecnicas mas códigos de valor são garantidos. Lembrando que feiras de artesanato são as manifestações culturais de maior ocorrência nos municípios brasileiros (57%), é importante ressaltar que o artesanato resgata o aproveitamento de materiais locais e a reciclagem mesmo antes destes temas serem abordados, é no mínimo interessante. A produção artesanal está então ligada a noção contemporânea de sistentabilidade, no que toca os conceitos de ambientalmente responsável, economicamente inclusivo e socialmente justo, englobando ainda o quarto pilar do desenvolvimento sustentável que é a diversidade cultural.

A revitalização do objeto feito à mão.

A revitalização do objeto feito à mão.

Cabeça e mãos, coração e alma

Feito com as mãos, o objeto artesanal conserva, real ou metaforicamente, as impressões digitais de quem os fez. Essas impressões não são a assinatura do artista, não são um nome, nem uma marca. São antes um sinal: a cicatriz quase apagada que comemora a fraternidade original dos homens.” Octavio Paz.

Se levarmos em conta a união dos conceitos de que designer é aquele que entra com o cérebro e o artesão como o artista que entra com a destreza e a habilidade, temos uma união de forças que transcende pré-conceitos e enaltece o potencial do ser humano para realização e a experiência do melhor que temos em nós.

Você pode comprar o livro Artesanato + Design – o caminho brasileiro de Odélia Borges em todas as boas livrarias.

Boa leitura!

 

 

 

 

 

Postado por: Marcelo Novaes

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Evento de gastronomia Sirha Rio acontece pela primeira vez na América Latina

Categorias: Cultura

Sirha Rio acontecerá pela primeira vez na América Latina entre os dias 14 e 16 de outubro

Sirah Rio

“Como o evento de referência mundial para profissionais dos setores hoteleiro e de serviços de alimentação, Sirha continua a se desenvolver internacionalmente. Estou imensamente orgulhoso em poder apresentar hoje a primeira edição do Sirha Rio, organizado em conjunto com a FAGGA, subsidiária brasileira da empresa multinacional de eventos GL events. Esta exposição e feira de negócios oferecerá uma oportunidade ímpar para que tomadores de decisão nas indústrias de hotelaria e de serviços de alimentação possam enriquecer as suas ofertas de serviços, descobrir os mais novos conceitos e as tendências mundiais, além de assistir e competir em concursos e participar de eventos paralelos. Tenho imenso prazer em convidar você a se juntar a nós no Rio de Janeiro, em outubro de 2015 para participar desta histórica primeira edição do Sirha Rio!”

Claude Troisgros, Presidente do Sirha Rio

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Durante três dias, 85 alunos do Curso de Gastronomia do IBMR, integrante da rede internacional de universidades Laureate, serão os únicos estudantes universitários a pôr a mão na massa para assessorar grandes chefs na primeira edição sul-americana do Salon International de la Restaration de L’Hotellerie et de la Alimentatio (Sirha). O maior evento de gastronomia do mundo acontecerá de 14 a 16 de outubro, das 10h às 19h, no Centro de Convenções SulAmérica, Centro do Rio de Janeiro. Além de auxiliar diretamente os chefs na preparação dos pratos da Coupe du Monde de la Pâtisserie, os alunos do Centro Universitário oficial do evento estarão distribuídos em commis, serviço de júri, coquetel lounge Vip, backstage, Mesa Show e Wine tasting. Todos sob a supervisão de três coordenadores, dois de gastronomia e um de nutrição.

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“O curso de Gastronomia do IBMR é referência acadêmica da Rede Laureate e oferecerá uma oportunidade única de crescimento tanto profissional como pessoal aos seus estudantes, sendo também um orgulho para o IBMR e para mim. O Centro Universitário IBMR será a única Instituição Brasileira de ensino superior em Gastronomia a participar do SIRHA”, celebra a coordenadora dos Cursos de Gastronomia e Nutrição do IBMR Ana Gonçalves. “Durante a feira, os alunos participarão dos eventos paralelos em funções estratégicas de serviços e nas seletivas Bocuse d’Or Brasil 2015 e Coupe du Monde de la Pâtisserie com os grandes Chefs”, finaliza a coordenadora do IBMR, que será uma das palestrantes do I Congresso SEBRAE de Inovação na Gastronomia. O evento terá ainda o Sirha World Cuisine Summit, série de debates sobre as tendências gastronômicas da atualidade, com participações da elite do setor, como o francês Claude Troisgros, presidente do evento, e o brasileiro Alex Atala, presidente do júri.

Voltada para o mercado de gastronomia e hotelaria e com expectativa de atrair 10 mil visitantes, a feira vai reunir 80 expositores e marcas brasileiras e internacionais de produtos e serviços, fornecedores de hotelaria e alimentação, incluindo também produtos alimentícios e bebidas, equipamentos de cozinha, artes da mesa, decoração, produtos regionais brasileiros e empresas estrangeiras presentes no Brasil pela primeira vez. O Sirha já acontece há mais de 30 anos em Lyon, na França, e teve edições em Genebra e Istambul. Em breve, chegará a Budapest, na Hungria, e ao México sediarão.

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Sobre o IBMR 

Com qualidade acadêmica reconhecida pelo MEC, o IBMR faz parte, desde 2010, da rede internacional de universidades Laureate, um dos maiores e mais prestigiados grupos privados de educação do mundo, presente em 28 países, formado por 80 instituições e mais de um milhão de alunos. Com tradicionais cursos de graduação nas áreas de Ciências da Saúde, Gastronomia, Hospitalidade e Negócios, a instituição conta com campi na Barra da Tijuca, em Botafogo e no Catete. O IBMR tem os melhores cursos de Biomedicina e Fisioterapia do Rio de Janeiro entre as universidades privadas, possui laboratórios de última geração e diferenciais como a internacionalidade, que oferece ao aluno as vantagens de participar de intercâmbios, feiras no exterior e programas de férias, estudando em cursos com currículo desenvolvido e supervisionado pelas melhores universidades do mundo. Para mais informações, acesse http://www.ibmr.br/.

Sobre a Laureate Brasil

A Laureate Brasil, integrante da rede global líder em ensino superior Laureate International Universities, é formada por 12 instituições de ensino superior que possuem mais de 50 campi em oito estados brasileiros. Fazem parte da rede Laureate Brasil: BSP – Business School São Paulo; CEDEPE Business School; Complexo Educacional FMU; Centro Universitário do Norte (UniNorte); Centro Universitário IBMR; Centro Universitário Ritter dos Reis (UniRitter); Faculdade de Desenvolvimento do Rio Grande do Sul (FADERGS); Faculdade dos Guararapes (FG); Faculdade Internacional da Paraíba (FPB); Universidade Anhembi Morumbi; Universidade Potiguar (UnP); e Universidade Salvador (UNIFACS).

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Sobre o Sirha

Com mais de 30 anos de tradição mundo afora, o Sirha é hoje o evento de referência do setor de gastronomia e hotelaria na Europa e no mundo, reunindo a cada dois anos mais de 198 mil profissionais do setor e expositores e marcas internacionais na cidade francesa de Lyon, onde começou. Em sua mais recente edição em Lyon, em janeiro deste ano, o Sirha teve a presença de 19 mil chefs, em 130 mil m² de pavilhão, com 3.045 expositores e marcas e mais de 189 mil visitantes profissionais vindos do mundo inteiro.

Serviço: 

Sirha Rio
Data: de 14 a 16 de outubro
Horário de funcionamento: das 10h às 19h 
Local: Centro de Convenções SulAmérica
Endereço: Avenida Paulo de Frontin, 1 – Cidade Nova – Centro – Rio de Janeiro, RJ
Para mais informações, acesse: http://sirha-rio.com/index.php

Postado por: Marcelo Novaes