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Joalheria em alta – Guide Joiailliers

Categorias: Design

Em 2014, parcerias colaborativas confirmam a consistência e a assinatura editorial do Life+Style para promover a sofisticação que transforma!  Destas, destaca-se a nova colaboração com o Guide Joailliers –  uma web magazine internacional com a missão de estabelecer a ligação de designers selecionados com audiência apaixonada pela história por trás de criações da joalheira mundial. Neste primeiro post colaborativo do Guide Joailliers | Life+Style, tenho o prazer de apresentar o dossiê de Kyra Brenzinger –  jornalista especializada em joalheira baseada em Paris, e que nos faz viajar pelas grandes exposições em arte joalheira neste início de ano.

Da exposição da maison Cartier no Grand Palais, `as peças excepcionais do criador JAR no Metropolitan de New York, passando pela exposição “Tesouros de Nápoles” no Museu Maillol em Paris, este post ilustra a retomada do gosto pela alta joalheira como um dos pilares do estilo que nunca sai de moda.

 

CARTIER, o estilo, a história

Graças `a cenografia excepcional com projeções nos muros do Salon d’Honneur, mais de 600 jóias traçaram a história da fabulosa maison Cartier.  

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Peças históricas como a safira de 478 quilates, montada no pendente para a Rainha Maria da Romênia em 1921 – uma esmeralda com a gravação “Berenice” com mais de 141 quilates – ou as coleções de 1919, todas surpreendem por sua escandalosa atualidade. Obras de arte a parte, a exposição contou com a curadoria da equipe do RMM (Reunião de Museus Nacionais) do Grand Palais seguindo uma narrativa de função aliada a estilo, desde a fundação da casa Cartier em 1847 por Louis-François Cartier até os ídos do anos 1970. Já na entrada, era possível descobrir a coleção de diademas que pertenceram a Maria Bonaparte em 1907, a Elisabeth rainha dos belgas de 1908, ou `a condessa Moy de 1909. Graças a estratégia da filial londrina, a Cartier conquistou os grandes Marajás. É impossível não admirar a cópia exata do colar do marajá de Patiala. Em 1925, o marajá trouxe até a maison  milhares de pedras para serem cravadas, dentre elas estava um raro diamante amarelo de 243 quilates, hoje rebatizado do “diamante De Beers”. Na mesma época, Jacques Cartier, neto do fundador, trouxe rubis, safiras e esmeraldas lapidadas da Índia e lançou a famosa coleção “Tutti-Frutti”, desde então um marco de estilo na joalheria. Estas pedras lapidadas em forma de folhas e flores, misturadas a diamantes, conquistou o gosto das mulheres mais elegantes da época como Daisy Fellowes, milionária herdeira da família Singer, inventora da máquina de costura.

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A exposição foi a oportunidade de testemunhar a evolução da industrialização nos países do ocidente através do perfil de personalidades como Marjorie Merriweather Post, herdeira de um grande império cerealista ou ainda Evalyn Walsh Maclean, herdeira de exploradores de minério, que foi a última mulher a carregar o célebre diamante azul, o Hope. Um conjunto de peças oficiais completa a exibição, como a tiara Halo usada pela Duquesa de Windsor em 1936 e por Catherine Middleton em seu casamento com príncipe William em 2011.

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Cerca de 20 de peças entre tiaras, colares e broches, homenageavam o gosto refinado de Grace de Monaco, o gosto anti-convencional de Wallis Simpson, a duquesa de Windsor. Mas são através das personalidades de estrelas fora do comum como Liz Taylor, Marlene Dietrich e atriz mexicana Maria Felix que as criações demonstram toda sua opulência: destacam-se o célebre colar de diamantes e rubis de Liz Taylor, ornado com a refinada pérola Pelegrina ou o colar de Maria Felix com dois imponentes crocodilos sobrepostos em diamantes amarelos e esmeraldas.

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A exposição termina com a homenagem de Cartier `a fauna animal, em especial a sua célebre pantera. O broche Pantera com um cabouchon de safira de mais de 152 quilates comissionado em 1949 pela duquesa de Windor a Jeanne Touissant, diretora da maison Cartier, tornou-se desde então a peça emblemática da maison.

Mais de 600 peças de alta joalheira, relógios e fabulosos objetos demonstram o poder e riqueza da maison Cartier  entre as grandes marcas do mundo.

Grand Palais – Salon d’Honneur, Paris - www.grandpalais.fr

 

Joias por JAR

É mais que natural que o MET (Metropolitan Museun of New York) preste homenagem ao joalheiro-criador JAR. Nascido em 1943 no Bronx, foram também os americanos que fizeram a sua fortuna, contando com prestigiosos clientes como Elizabeth Taylor, Gwyneth Paltrow, ou miliardários como Ellen Barkin ou Susan Gutfreund. Desconhecido do público francês, Joel Arthur Rosenthal (Jar) foi viver na França em 1966 e até hoje tem apenas uma única loja em Paris. Situada numa viela da Place Vendôme, a boutique misteriosamente não apresenta nenhuma criação na vitrine. Isso por si só atesta a grande especialidade de Jar em jogar com o marketing da raridade. Não divulga fotos em sua página web, declina pedidos de entrevistas como da Vanity fair, repele oportunidades de falar de suas exposições e até escolhe seus clientes. Portanto a exposição no MET é  uma oportunidade de conhecer o microcosmo da rara joalheira. JAR é  reconhecido por colegas por ousadias, como a mistura de ouro com titânico ou alumínio em suas criações.

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As jóias de JAR alcançam preços a “peso de ouro”, como as 18 peças arrematadas num leilão da Christie’s pelo valor de 20 milhões de dólares. O minimalismo da cenografia da exposição é pano de fundo perfeito para o constrate com o luxo e a riqueza das 400 peças em exibição. Dois temas são abordados na exposição: flores e borboletas se metamorfoseiam em broches e anéis monumentais. Entre outros, descobrimos obras em forma de tulipas num realismo excepcional em 3 dimensões.

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Seu sócio e companheiro, Pierre Jeannet explica que “Jar acompanha as peças em todos as etapas de fabricação. Se ela não lhe convêm, ele a destrói! “. Daí é compreensível a fila de espera de 24 meses para se ter uma joia de JAR… Seguindo a exposição de 2002 na Sommeret House de Londres, a exposição de JAR no Metropolitan de New York é sem dúvida uma magnífica homenagem ao criador de 71 ano de idade, graças aos empréstimos de peças de acervo cedidas por clientes riquíssimos no mundo inteiro. Para a ocasião da exposição, uma coleção única de brincos e relógios foi realizada na boutique do museu e que propoe também um livro a altura da reputação do criador, pela módica quantia de $ 1400 dólares!

 Metropolitan Museum,  New York  www.metmuseum.org

 

O Tesouro de NÁPOLES

A exposição no Museu Maillol apresentará a paritr de 19 de março as peças mais representativas do Tesouro de San Gennaro, fabricadas e acumuladas ao longo dos 7 últimos séculos: cálices, candelabros, cruzes e estátuas de santos são fruto do trabalho de mestres de uma arte em ourivesaria sem par. 

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San Gennaro, mártir morto pela perseguição `a Dioncletiano, é o grande santo patrono da cidade de Nápolis. Seu sangue, recolhidos em duas ampolas, se liquifazem três vezes ao ano, na mesma data por séculos – um fenômeno que mesmo a ciência de hoje ainda não consegue explicar. No dia 13 de janeiro de 1527 um acordo insólito foi estabelecido entre o próprio povo de Nápolis e o Santo, morto há mais de 1200 anos… Em troca de sua proteção da cidade contra a peste e a erupção do Vesúvio, os Napolitanos se comprometeram a reunir e proteger um tesouro em sua homenagem dentro de uma capela na catedral da cidade. Um tesouro que não pertence nem `a Igreja, nem ao Estado, mas ao povo da cidade, representa há mais de séculos uma antiga instituição laica que a conserva e o preserva um acervo em alta ourivesaria.

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” Esta coleção cultural e artística se inicia na verdade a parti de 1305, data na qual o rei Carlos II dedicou ao santo um relicário em ouro e pedras preciosas, legando até os nossos dias um tesouro de valor inestimável, composto por 21.610 peças de ourivesaria.” De acordo com especialistas, o conjunto de obras se equiparam, por sua raridade e riqueza, `as peças da coroa da Inglaterra e dos czares russos.” Não é por acaso portanto, que as peças do acervo foram criadas pelos mais renomados artistas daquele tempo, tendo sido oferecidas e comissionados não somente por reis,  rainhas, imperadores, papas  e homens ilustres, mas também pelo próprio povo.”

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Um verdadeiro trajeto histórico, esta exposição é um termômetro da evolução histórica das artes decorativas, da produção em ourivesaria e prataria no ocidente. Muito além de apreciar peças de valor inestimáveis, o público terá oportunidade de testemunhar a criação de grandes mestres da ourivesaria entre os séculos XIV e XX.

Museu Maillol, Paris - www.museemaillol.com

 

Dossiê por Kyra Brenzinger,  jornalista especializada em joalheira, co-criadora do Guide Joailliers. Em colaboração com o Life+Style, direto de Paris. 

Postado por: Marcelo Novaes