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Palestra Marketing do Novo Luxo – IED Rio

Categorias: Consumo

Um dos grandes presentes de atuar no mundo acadêmico é acreditar que estudando é a maneira para transformação do mundo. Seja na consultoria para empresas ou em palestras que ofereço em instituições respeitadas, recentemente recebi o convite para falar sobre Marketing de Luxo no curso de Design de Joias do IED. O Istituto Europeo di Design é o braço da renomada escola dedicada aos setores do design nascida nos anos 60 em Milão, e hoje ocupa a icônica sede do antigo Cassino da Urca no Rio de Janeiro.

Conheça abaixo um pouco do conteúdo da aula de Marketing de Luxo que ofereci aos aluns do curso de Design de Joias do IED em novembro de 2015. Fique a vontade para entrar em contato para saber mais detalhes do material!

IED Rio

LUXO e ABUNDÂNCIA

Abordando conceitos que transcendem o tom pejorativo que a palavra LUXO recebeu ao longo da história, começamos o encontro lembrando como, desde o início dos tempos no Jardim do Éden, o homem almeja a abundância como símbolo de harmonia, plenitude e felicidade. Ao longo do tempo, o acumulo de riquezas pela aristocracia, reis e a igreja restringiu o poder na mão de poucos. A distinção e o isolamento de seletos grupos detentores de posses ajudou a deturpar o sentido de que LUXO serve para poucos exercerem  domínio político, social e econômico sobre muitos. Fato é que o uma das prerrogativas do LUXO é o fato da abundãncia e não da escassez.

Jardim Eden

O século XVIII é o ápice do luxo em excesso, em especial das cortes européias. Os reis desenvolvem o hábito de marcar poderio através de palácios suntuosos. Jardins substituem as ponte levadiças. Arquitetos italianos como Leonardo Da Vinci são recrutados para construir os castelos do vale do Loire, verdadeiros símbomos de luxo arquitetônico. Grandes incentivos à comercialização de tapeçaria, cristais, e porcelanas. A jolaheira é influenciada pela descobertas de grandes jazidas de diamantes na Africa do Sul e ouro brota das minas nas Américas. Novas tecnicas de ourivesaria se desenvolvem, e o surgimento de strass favorece o nascimento das bijoux. O Luxo fica restrito aos muros de palácios, enquanto a população sucumbe a doenças e à fome. Mas movimentos como a Revolução Francesa deram cabo das diferenças e mudam o LUXO de mãos e significado.

LUXO e SIMBOLOGIA

Se pensarmos que a gastronomia nasceu da evolução da vontade do homem em criar novos sabores através de novas misturas de alimentos e especiarias, podemos dizer que o homem não se continha com o simples fato de alimentar-se para livrar-se da fome. A gastronomia nasce com o objetivo maior do que simplesmentesaciar a fome – é a vontade do homem transmitir e estabelecer códigos afetivos, sociais e culturais. De outra forma, foi na África que originou-se a arte da cerâmica. Impedidas de comunicar-se com os homens, as mulheres decoravam as louças onde a comida era servida para transmitir histórias e apreço. Se observarmos finalmente que a vestimenta já foi um ítem meramente funcional para proteger o homem do frio, do sol, do vento, é um LUXO observar o nascimento da moda como fenômeno de diferenciação cultural, social e econômica.

LUXO e  CONTEXTO

Cartier

Numa variedade enorme de objetos, o LUXO caracteriza bens que apresentam conceitos que ultrapassam o normal e aspiram a transcedência. Para pertencer à categoria LUXO, o objeto de LUXO tem de necessariamente apresentar os seguintes conceitos:

- ser harmoniosamente BELO  - apresentar a harmonia, o rítmo da estética considerada como equilibrada e desejável para a percepção humana, o objeto do LUXO tem ser ser necessariamente BELO.

- ser tecnicamente  PERFEITO – a atenção com detalhes como o forro, o acabamento, o toque sutil, a valorização dos sentidos (tato, paladar, olfato, sonoro, visual), o objeto de LUXO muitas vezes devem apresentar inovações tecnologicas surpreendentes e inovadoras para serem consideradas exceopcionais

- ser especialmente  SIMBÓLICO – para pertencer à categoria LUXO, o objeto deve ser conceitualmente localizado, ter uma história que lhe ofereça lastro e memória. A origem dos objetos deixa transparecer o seu entorno, a vida do artista, as circunstâncias nas quais nasceram. O mistério desvendado pelo ‘storyteling” é fator ímpar para agregar valor de unicidade, cada vez mais valorizado pelo usuário ávido por “experimentar” histórias emocionantes e únicas.

LUXO e POSICIONAMENTO DE MARCA

Chanel

Identidade, história da marca, proveniência, genealogia, tradições, códigos do fundador são fatores fundamentais para consolidar o posicionamento de uma marca. Seja nos campos da moda, joalheria, acessórios, perfumes ou mesmo hotéis boutique, o LUXO garante o senso de intimidade e privacidade que tanto seduz o consumidor. A personalização do bem ou serviço é parte inerente do mercado de LUXO. Nessa relação o consumidor torna-se membro de um grupo seleto de pessoas que fazem uso de experiências únicas que o consumo do LUXO confere. Um bom exemplo é o marketing de pertencimento construído por Steve Jobs para APPLE. Em outra instância, os consumidores de exclusivos hotéis boutique também se aproximam de um grupo seleto de felizardos capazes de experimentar momentos de fantasia, exclusividade e customização.

Experiência do Luxo

LUXO e GESTÃO

A gestão do LUXO é bastante particular, em especial no mundo onde grupos de empresas se agrupam para fortalecer o processo de criação, produção, distribuição e mercado de bens e experiências exclusivas. LVMH, RICHEMONT e GUCCI são hoje os maiores grupos detentores de marcas de luxo do mundo.

Grupos Luxo

Dentro os 4 Ps do Marketing (product, price, place, promotion), a Promoção é uma das fases do mercado de luxo que exgige planos sistêmicos na publicidade, eventos, redes sociais, engajamento em ações de co-branding para fortalecimento da imagem marca. Muitas marcas consolidadas, a fim de alcançarem públicos específicos, criam edições limitadas e mais populares para atingir públicos mais populares. Nestes casos, utilizar os mesmos valores de qualidade e posicionamento da marca original é fundamental para garantir o sucesso de vendas sem cair na vulgaridade. Cartier lançou o Must de Cartier e garantiu, através de valores da marca, a mesma qualidade para uma gama de produtos mais populares.

Lançamento, Diversificação, Licensiamento de produtos e posicionamento de marca são pontos questões importantes no assunto de mercado de luxo.

Cartier

E O LUXO NO SEC. XXI?

Levando em conta a vocação inconformista do homem e sua vontade para evoluir, o LUXO é um dos setores que mais crescem no mundo. Num mundo com pretensões ao inusitado, identificamos o LUXO mais acessível, mesmo sem perder valores que o tornam especial. Afinal, mistério, exclusividade, restrição são características inerentes do LUXO. Mesmo que seja mais fácil de ser consumido e aproveitados por uma gama maior de consumidores, o LUXO terá de oferecer novos conceitos para garantir a prerrogativa de excelência eterna do novo LUXO.

Mande um email para contato@lifeandstyle.com.br e conheça ou contratar a palestra Marketing do (novo) LUXO por Marcelo Novaes.

Luxo Sex XXI

Postado por: Marcelo Novaes

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Simpósio Polo Arqdec pauta conceitos para a profissão de arquiteto, designer e paisagista com vistas à Indústria 4.0

Categorias: Design

Conteúdos ricos em citações históricas, inspirações e novidades tornaram o evento referência no município de Campinas

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Com a Arena de Pedra do Royal Palm Plaza lotada, o presidente do Polo Arqdec, Sante Testa Neto abriu na manhã de 20 de outubro, a segunda edição do Simpósio Arquitetura, Design e Paisagismo “Novo Prisma Para o Futuro da Profissão”. Com seis palestras, intervenções históricas certeiras do simposiarca Paulo de Tarso e momentos de descontração, o evento destacou conceitos como a importância da bagagem pessoal no processo criativo, da irreverência e da ética profissional e se fortaleceu como uma importante referência no município de Campinas, ao reunir em torno de 200 participantes. O simpósio foi realizado em sintonia com a responsabilidade social. Os serviços de papelaria e o manuseio das sacolas de brindes foram contratados do Serviço de Saúde Dr. Cândido Ferreira. A instituição de Campinas também foi beneficiada com 170 cestas básicas, doadas pelos inscritos no evento.

simposioArdDec

Em mais de uma oportunidade, os palestrantes citaram a parceria entre profissionais com especialidades distintas como algo cada vez mais presente na elaboração de projetos e exemplificaram formas de se reinventar e delinear o futuro da profissão, frente à iminência da quarta revolução industrial (Indústria 4.0). Para o presidente do Polo Arqdec, Sante Testa Neto a associação cumpriu seu papel ao proporcionar conhecimento e apontar diretrizes sobre um segmento cada vez mais competitivo como o da arquitetura, do paisagismo, do design e áreas correlacionadas.

Antes de anunciar o primeiro palestrante, Paulo de Tarso reforçou as palavras de Neto sobre a importância de compartilhar e buscar relacionamentos melhores, com novos ensinamentos, em um momento crítico e de transição como o que vivemos no Brasil. De acordo com ele, é necessário rever o passado, viver o presente e construir o futuro.

Referências

O arquiteto Aldomar Caprini foi o primeiro a palestrar. Ele fez uma retrospectiva da arquitetura e do paisagismo modernos em Campinas, utilizando como figuras centrais o arquiteto paisagista Renato Righetto e o arquiteto Alberto Nassralla. A explanação – Contrastes e personalidades – pontuou a contribuição dos dois para a construção do segmento de arquitetura na cidade e levantou a discussão em torno da falta de preservação do patrimônio arquitetônico nos municípios. Righetto e Nassralla formaram-se em instituições diferentes, mas em dado momento sua trajetória profissional se cruzou e a harmonia e o respeito entre eles foi um exemplo que deve ser seguido hoje e sempre.

aldomarcaprini 2

Familiares dos dois ícones estiveram presentes e foram agraciados com uma placa oferecida pelo Polo Arqdec pelo reconhecimento ao trabalho dos arquitetos. Nassralla foi um funcionalista que colocava a técnica acima das questões formais, porém, mantendo a harmonia em seus projetos. Tinha o traço fácil. Desenhava no guardanapo, na areia, acordava de madrugada para desenhar. São seus os projetos dos prédios da Mesbla, C&A, Muricy, entre outros. Righetto, marqueteiro nato, teve contato com o paisagista Burle Marx durante seus estudos no Rio de Janeiro e trouxe para Campinas suas referências, passando a aplicá-las em seus projetos, que propunham uma nova forma de morar. Righetto buscava a integração do verde e abria grandes vãos em seus projetos de traços modernos e arrojados para inseri-lo de forma harmoniosa. Como parte de seu legado estão o Parque Portugal (Lagoa do Taquaral) e o Largo do Rosário, obra que teve suas características originais modificadas pelo poder público.

O olhar do designer

Ao introduzir a segunda palestrante, a designer de joia Andrea Paes, o simposiarca ressaltou o aparato que há milhares de anos diferenciou o homem dos símios e demais raças: um colar de conchas furadas com objetivo de adornar, de se tornar diferente. A partir daí surgiu todo um significado sobre a cultura que vem transformando a sociedade.

andrea paes

Andrea, que veio do Rio de Janeiro especialmente para o evento, falou sobre O design dos meus olhos. Ela destacou a importância do legado pessoal e como isso influencia no processo de criação e na forma que cada pessoa enxerga uma referência. Ao usar citar joias criadas por ela quando trabalhava em uma famosa empresa do setor joalheiro, Andrea deu uma aula sobre sensibilidade e ressaltou a importância da beleza para cavar emoções, sensações. Em sua concepção, o designer precisa colocar alma, vida em suas criações, já que elas são, na verdade, expressões individuais a partir de um ponto. Estruturas arquitetônicas e paisagísticas monumentais, como os Jardins de Pedra de Burle Marx e o Estádio Mario Filho (Maracanã), por exemplo, foram atentamente estudados e traduzidos em delicadas peças de grande apelo estético, artístico e ergonômico, consideradas símbolos de desejo e poder. Outro aspecto abordado pela designer foi a reinvenção pessoal em contraponto à acomodação que surge quando existe uma estabilidade profissional. De acordo com ela, é preciso compreender o que define a pessoa naquele determinado momento e, a partir daí, sair da zona de conforto e buscar novos desafios para iniciar uma nova história.

O novo luxo

Para chamar o último palestrante do período da manhã, Paulo de Tarso contextualizou o significado da palavra projeto. Do latim projectare, que significa lançar para frente, justamente o que o simpósio se propôs a apresentar.

Marcelo Novaes, consultor de marketing de luxo com larga experiência na promoção e comercialização de joias de design, que também veio do Rio de Janeiro a convite do Polo Arqdec, apresentou a palestra Lojas conceito – o novo luxo e falou com propriedade sobre os anseios do consumidor em tempos de globalização e sobre a diferença entre luxo e o novo luxo.

Marcelo novaes

Com o advento da internet na década de 1990, diferentes tribos se conectaram e esse fluxo de informações gerou um novo tipo de consumidor, mais exigente, questionador e seletivo. Para atrair sua atenção, começaram a surgir estratégias criativas a fim de transformar o ato da compra em uma experiência única e inesquecível. De acordo com o consultor, é preciso ir além da simples comercialização, seja de joias, móveis ou outros bens. O consumir moderno busca algo a mais, uma experiência de autogratificação, um produto com valor agregado de design. Preço, atendimento e qualidade nada mais são que meras obrigações. Cada vez mais há a necessidade de conceber pontos de venda com ambiente alinhado à identidade do produto, com toques lúdicos capazes de encantar e que remetam ao posicionamento da marca. Daí a grande importância do trabalho de arquitetos, designers e demais profissionais da área.

No novo luxo, vendedores tradicionais passam a ser contadores de histórias que falam a língua daquele determinado consumidor, causando empatia. “É preciso defender que aquele produto é o melhor para aquela pessoa e para isso é necessário contextualizar e focar no relacionamento”, diz. A customização e a curadoria do produto, a identidade visual, a narrativa e a circulação interna são fatores que passam a ser mais importantes que o simples emprego de materiais nobres.

Exemplos disso são a loja da Apple na quinta avenida, em Nova Iorque, que por suas características se tornou icônica. A das Havaianas, na rua Oscar Freire, em São Paulo, concebida de forma que um arco-íris de sandálias conduz o consumidor para o final da loja, e a da Nike, em Paris, montada em uma antiga livraria e que utilizou a memória afetiva do bairro, preservando intactas todas as características da edificação – inclusive a expressão librairie na fachada – e que se destaca justamente pelo ineditismo, pela surpresa.

Arquitetura paisagística

Na parte da tarde, outro Marcelo Novaes, arquiteto e paisagista de Campinas, foi chamado ao palco e esmiuçou o tema Jardins: ontem, hoje e sempre.  Por meio da apresentação de alguns dos seus mais importantes trabalhos e exemplos de projetos no Brasil e no exterior, ele destacou recursos paisagísticos que vieram para ficar, como os jardins verticais, os telhados verdes e a nova concepção das piscinas que passam a ser elementos centrais em um projeto de arquitetura paisagística, ganhando borda transbordante, nichos, formas orgânicas, decks molhados e SPAs.

Marcelo Novaes1

Com o paisagismo em seu DNA, Marcelo Novaes explicou a importância de diferentes recursos na composição de um projeto capaz de despertar a curiosidade, como os aromas, as diferentes cores, o barulho de água e até os pássaros. Como a arquitetura paisagística é construída pelo tempo o paisagista precisa enxergar o futuro de forma diferente para que o jardim seja ao mesmo tempo sustentável, lindo e surpreendente, independente da estação do ano e apesar do passar dos anos. Além disso, o recurso do paisagismo é um grande aliado na hora de esconder um muro, promover privacidade ou fazer uma integração entre duas áreas distantes.

MarceloNovaes e RenataPodolsky

Exemplos do que propõe o paisagista são o Gardens by the Bay, em Cingapura, com suas super árvores, gigantescas estruturas de aço com as laterais recobertas por plantas e que formam uma espetacular imagem, além de possibilitar o uso sustentável dos recursos naturais, como recolher água da chuva e conter células fotovoltaicas que permitem também acumular a energia elétrica utilizada no final do dia em na iluminação do parque. Outro projeto que exemplifica a arquitetura paisagística é a avenida Mackenzie, em Campinas. A obra envolve 1800 ipês, rosas, primaveras e mais uma infinidade de espécies que florescem em épocas distintos, formando impactos visuais diferentes. A via, recentemente inaugurada, passou a ser uma área de lazer, graças à sua característica convidativa e contemplativa.

Para o mediador Paulo de Tarso, existe a necessidade de se enxergar no Brasil que parques e jardins, como os de Cingapura e outros pelo mundo, constituem um legado capaz de atrair milhares de turistas e mudar a vida de uma cidade e de o poder público passar a investir mais nesses espaços.

O potencial turístico de projetos paisagísticos e arquitetônicos, bem como de eventos do porte do Simpósio Polo Arqdec, que atraem participantes de diversas localidades, foi destacado também pelo diretor do Campinas e Região Convention & Visitors Bureau, Fernando Vernier. De acordo com ele, o setor constitui um importante atrativo para a cidade.

Criatividade irreverente

Com uma grande dose de irreverência, o arquiteto e designer gaúcho Henrique Steyer assumiu o microfone na sequência e provocou a plateia com sua apresentação aberta com um vídeo do show da cantora Madonna no Brit Awards 2015, quando caiu do palco devido a um nó não defeito em sua capa – assinada por Giorgio Armani – e recheada de imagens de nus frontais, sexo e violência. Sua palestra Design inusitado – do céu ao inferno, propõe uma ampla discussão acerca do certo e do errado; do irreverente e do tradicional, do previsível e do imprevisível, do velho e do novo. Steyer utiliza o questionamento, o inusitado, o preciosismo dos detalhes e a criatividade para elaborar seus trabalhos, reconhecidos mundialmente. Se não há uma obra de arte adequada a determinado ambiente ele propõe que se crie um artista plástico fictício para fazê-la.

henrique steyer

Na visão de Henrique Steyer nada é proibido. Ele criou uma série de quadros intitulada What if? retratando personalidades do mundo todo com a pele negra, para promover um olhar profundo para as questões de intolerância racial. Criou também uma obra que mostra a Pietá de Michelangelo com uma tarja nos olhos e imagens minúsculas de sexo aos seus pés; utilizou mictórios antigos revestidos de dourado para um evento em uma loja conceituada e assinou um hall de entrada de uma mostra de arquitetura, no qual forrou parte das paredes e piso com miniaturas de nádegas de homes e mulheres. Essa assinatura impactante e provocativa do arquiteto também está presente nos mobiliários que desenha e que fazem sucesso no Brasil e no exterior, como as estantes Zig Zag, Onça e Niño e o banco Macaco, inspirado na fauna brasileira. Todos com forte rigor construtivo e ergonômico. Henrique Steyer, assim como Andrea Paes, busca se reinventar. Agora, sua mais nova empreitada é no universo das joias, com o lançamento de uma coleção inspirada nos móveis que criou.

Minimalismo aconhegante

A última a palestrar foi a arquiteta Fernanda Marques, que fez uma retrospectiva de suas principais obras de arquitetura, interiores e design, situando pontos chaves do seu processo criativo e da interação com seus clientes. A casa Limantos, construída por ela em um terreno muito íngreme em São Paulo, que evoca a arquitetura racionalista de Mies van der Rohe e parece estar imersa na paisagem e o apartamento Barbizon, em Nova Iorque, que traduz a vida de um brasileiro naquela cidade americana, a partir de uma perspectiva contemporânea foram alguns dos exemplos.

Fernanda Marques

Fernanda pontua como características de suas obras a integração das áreas interna e externa, a utilização de elementos quentes, como a madeira, e frios, como o vidro, resultando em uma decoração minimalista e contemporânea, mas, sem abrir mão do aconchego. Seus trabalhos ilustram de forma brilhante como criar grandes espaços com acabamentos não necessariamente muito requintados e com resultados sofisticados e de rara beleza.

Em sua busca constante por soluções de acordo com a necessidade do cliente, Fernanda Marques finalizou sua apresentação com os bancos Geomorph e Organic, que marcam o início das pesquisas da arquiteta para a utilização de aço inoxidável na produção de móveis de design contemporâneo, o que leva à vinculação de seu trabalho com a arte cinética e suas reflexões sobre a natureza fixa do mobiliário. Desse modo, Fernanda também atua desenhando mobiliário como uma peça que, fechada, é uma estante para ocasiões formais e aberta transforma-se em um bar mais descontraído.

Indústria 4.0

Como bem explicou o simposiarca Paulo de Tarso, as palestras sinalizaram o futuro e as mudanças que ocorrerão – e que já estão ocorrendo – no segmento de arquitetura, paisagismo, design e afins com a iminência da quarta grande revolução industrial, a da Internet das Coisas, que hoje é um conceito, mas deve se tornar realidade em breve.

Paulo de Tarso

A chamada Indústria 4.0 vai modular o trabalho dos profissionais assim como ocorreu nas três primeiras revoluções. As transformações da sociedade terão impacto direto sobre a atuação do segmento e os profissionais de arquitetura, designer e paisagismo precisam estar aptos a dar essa resposta com rapidez. Mas, nunca poderemos abrir mão do raciocínio e do desenho na ponta do lápis. O computador deve ser uma ferramenta a mais”, completa.

RECONHECIMENTO

É sempre uma honra atender o convite de palestras onde eu possa compartilhar experiências e instrumentos de marketing como reconhecimento do empenho e paixão que tenho pela profissão de consultor na venda de conceitos, histórias e experiências. Recentemente estive em Campinas como um dos seis palestrantes convidados no Simpósio ArqDec. Iniciativa de sucesso celebrado pela presença maciça de lojistas, arquitetos, designers e estudantes, fica a sensação de que podemos efetivamente transformar crise em OPORTUNIDADES. Agradeço o convite da diretoria do Polo ArqDec, a oportunidade de compor um time de profissionais de primeira, e claro, a acolhida sempre calorosa da cidade de Campinas!

Que venham outros!

Lojas Conceito - o novo luxo

 

Postado por: Marcelo Novaes

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What is Luxury ? @Victoria&Albert Museum, Londres

Categorias: Design

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Studio Drift, FF3 CC, Courtesy of Carpenters Workshop Gallery

© Studio Drift, FF3 CC, Courtesy of Carpenters Workshop Gallery

25 Abril – 27 Setembro 2015

A V&A and Crafts Council apresenta a exposição What’s Luxury? no Victoria&Albert Museum , o maior museu de arte e design do mundo. Coincidência ou não, embarco hoje para Londres para participar do curso Luxury Management&Marketing na Central Saint Martins, umas das escolas de referência em moda, arte e design.

A exposição What’s Luxury? do V&A propõe a rica discussão de como o luxo é produzido e compreendido na atualidade. O Luxo tem uma longa história de controvérsia. Mais recentemente, o aumento do crescimento de marcas de luxo em oposição `a disparidade social tem apontado novas questões sobre o que o termo significa no mundo de hoje. Assistimos como mudanças na cultura e comunicação também tem estimulado interesse em formas menos tangíveis de luxo, como o desejo por espaço e tempo.

Coroa Portugal

What’s Luxury? aponta o trabalho de designers, artistas e artesãos dedicados a debates atuais sobre o tema. De um aspecto mais simples, o Luxo engloba a produção de objetos excepcionais, que demonstram um investimento extraordinário de tempo e do feito a mão. A exposição explora como atitudes em relação ao luxo são formatadas por interesses culturais e sonhos pessoais. Ele desafia as noções pré concebidas de valor e propõe a oportunidade do pensamento conceitual sobre o futuro do luxo no século 21.


Pedra de Espuma Dourada - Dominic Wilcox

Criando Luxo

A produção de luxo representa investimento em tempo. Isto implica não somente o tempo despendido de produzir o objeto mas também do processo de aperfeiçoamento de habilidades tecnicas. Cridores de luxo são inspirados pela paixão e pela intrincada curiosidade da natureza dos objetos, o potencial de materiais e de tecnicas complexas. Esta motivação frequentemente transcende as demandas do mercado e pode demandar a aceitação do riscos e desafios.

Instalação de Agua Viva - Steffen Dam

Produzir o Luxo não está ligado a soluções práticas mas sim ao extraordinário, ao não necessário e ao exclusivo. A nobreza e a experiência excepcional de um ofício são demostrados pela precisão fora do comum, a atenção ao detalhe, aos acabamentos impressionantes. Tal qualidade é adquirida pelo desafio e amplitude de padrões de artesanato e de categorias do design. O resultado do trabalho combina assim altos padrões de inovação com o respeito de tradições milenares.

Howdah - India


Um Espaço para o Tempo

O Luxo tem o potencial para despertar sonhos de estar em algum outro lugar ou de ser outra pessoa. Ele existe nos limites de rotinas diárias e reforça a expansão de horizontes.

A Rematerialization of Systems - El Ultimo Grito -

A aquisição de objetos de luxo sempre preencheu expectativas e aspirações. Em um mundo conturbado e invasivo, pessoas valorizam o tempo e o espaço para aproveitar momentos e experiências especiais. Designers contemporâneos referem-se `a disponibilidade de tempo e espaço como artigos de luxos.

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Um Futuro para o Luxo

Designers e artistas discutem sobre o futuro não com o objetivo de prever mas para refletir sobre as condições atuais e as alternativas possíveis para repensar o que o luxo significa hoje e como ele poderá a ser considerado no futuro.

DNA Vending Machine Gabriel Barcia-Colombo

Estes questionamentos evocam a relação fundamental entre luxo e valor. Ao invés de ser constante e previsto, cada vez mais percepções de valor variam. Hoje elas são motivadas pelas forças do mercado, enraizadas em convenções culturais e sujeitas `a legislações e `a corrupção. Os cenários funcionais apresentados na exposição subvertem as tradicionais noções de valor, introduzindo materiais e conteúdos muitas vezes artificiais, comuns, esquecidos, distantes e até mesmo condenados ao esquecimento. Neste contexto, cenários diferenciados desafiam a relação entre luxo e materiais frequentemente tidos como sendo preciosos e raros.

Hair Highway Studio Swine


O que é Luxo?

The Last Man’s Seat, by The Last Man, 2015. Commissioned by the V&A, Private Collection
The Last Man’s Seat, by The Last Man, 2015, commissioned by the V&A Private Collection

A questão de luxo é sem dúvidas muito pessoal. Cabe a cada um decidir por si mesmo o que o seu luxo poderia ser. Aproveitar e manter o luxo não é apenas uma questão de recursos financeiros mas de circunstâncias individuais e preferências.

Liberdade para sonhar e a capacidade de tomar decisões são questões fundamentais para aproveitar o luxo. Da mesma forma, princípios de liberdade e escolha são a base para a tese do projeto The Last Man (O Último Homem), apresentado na exposição. A instalação propõe a situação na qual um único indivíduo se encontra sozinho no mundo, mas com todos os seus recursos materiais intactos. Longe de obrigações, economia, política, moda, sociedade e das amarras do tempo, o última homem brinca de desenhar e construir o seu próprio mundo material, refletindo seus sonhos e desejos mais profundos.

Fonte: V&A and Crafts Council

Postado por: Marcelo Novaes